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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Armadilha 1: Procrastinação - Série Armadilhas da mente

        A procrastinação é um comportamento muito comum em que uma ação necessária é evitada ou adiada indefinidamente. Dessa maneira, a pessoa quer iniciar alguma tarefa ou mesmo terminar o que começou, mas é levada a postergar a ação, por motivos que sempre lhe parecem alheios à sua vontade. É o que popularmente chamamos “empurrar com a barriga”.

          O hábito de adiar algo importante, como terminar um relatório de trabalho, iniciar uma mudança positiva de hábitos, procurar um profissional da saúde quando se sente doente, resulta em:

- perda de produtividade,
- estresse,
- ansiedade,
- angústia,
- sensação de culpa,
- e vergonha, pelo não cumprimento das responsabilidades e compromissos.

         Por que procrastinamos? Quando nos envolvemos com alguma tarefa que não gera prazer imediato, o cérebro interpreta isso como uma ameaça.
          O Sistema Nervoso Central produz certas substâncias – neurotransmissores- relacionadas com as emoções, sentimentos e comportamentos. Toda vez que a pessoa recebe um estímulo positivo, forte, agradável, seu cérebro gera a dopamina, que dá a sensação de felicidade, de estar de bem com a vida, em fluxo com o Universo e todos os sentimentos decorrentes disso. A dopamina gera prazer, alegria, força, êxtase, euforia, poder, sexualidade, confiança, sentimento de poder enfrentar qualquer desafio. Ela é indispensável para ação motora, força de vontade, alegria e bem-estar.
         A dopamina é um neurotransmissor extremamente potente. Sua diminuição é fatal para o crescimento do indivíduo. Sua presença traz uma sensação de controle total da situação, de poder enfrentar qualquer desafio, qualquer inimigo, qualquer problema. Este é o neurotransmissor básico do Macho Alfa ou da Fêmea Dominante.

         Nos tornamos, de certa forma ,dependentes deste tipo de sensação de poder. Quando uma tarefa tem grandes possibilidades de provocar a produção de dopamina, o cérebro busca avidamente por ela. Por outro lado, quando o cérebro entende que uma ação não será capaz de produzir dopamina, ele simplesmente tenta evitá-la de todas as maneiras.
         Frente a uma tarefa, a amígdala cerebral - a parte do cérebro que controla o cérebro emocional - inicia uma rápida avaliação entre o agir e o não agir, baseada em experiências semelhantes registradas na memória.  Quando a tarefa não parece prazerosa, entram em ação outros neurotransmissores, provocando medo e ansiedade. Então, evita-se a ação para que haja um retorno ao ponto de equilíbrio emocional.

         O córtex pré-frontal é a área do cérebro responsável por funções de execução cerebral como planejamento, controle de impulsos, atenção, e age como um filtro, diminuindo estímulos que causam distração ao indivíduo. Lesões ou baixa utilização dessa área podem reduzir a capacidade de uma pessoa filtrar esses estímulos, resultando em má organização, perda de atenção e aumento da procrastinação.
         Normalmente, a amígdala cerebral leva menos tempo para produzir uma reação emocional do que o córtex pré-frontal leva para julgar e se decidir pela ação. É por esse motivo que, muitas vezes, a emoção vence a razão e adiamos uma ação necessária indefinidamente, ou pelo menos até o prazo final para executá-la, quando a dor por não agir torna-se maior do que o desprazer de agir.

         Qual de nós já não adiou a realização de uma tarefa importante como: praticar exercícios, iniciar a leitura de um livro que pode mudar nossa visão de mundo, aprender um idioma, emagrecer, parar de ingerir bebidas alcoólicas, começar a poupar?
         A procrastinação acontece com todos, uma vez ou outra, mas há pessoas em que esse comportamento torna-se uma desordem persistente e debilitante. Nesses casos, o hábito relaciona-se com ansiedade, baixa autoestima, falta de criatividade e mentalidade autodestrutiva. Embora a procrastinação seja considerada normal, é um fator limitante para o crescimento pessoal.
         Os procrastinadores podem adiar suas tarefas por:
  • Perfeccionismo: nunca estão satisfeitos com os resultados do que estão fazendo; portanto, não se sentem prontos para finalizar o que iniciam.
  • Impulsividade: se envolvem demais com atividades menos importantes, cujas soluções têm baixo impacto como, por exemplo, responder a todos os e-mails que recebem ou conferir a todo o momento o que está acontecendo nas redes sociais.
  • Medo: temem o fracasso e a opinião alheia frente ao seu desempenho. Não começar algo, neste caso, é a melhor forma para não fracassar ou não ser julgado.
         Mesmo sendo um forte hábito, a procrastinação é uma escolha do indivíduo. A angústia associada à procrastinação somente se extingue quando a tarefa é concluída.
          Há técnicas e ferramentas que podem ajudar, mas o problema só será resolvido, em definitivo, através do autoconhecimento e da busca pela expansão de consciência.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Armadilha 3: Dissonância Cognitiva - Série Armadilhas da Mente

  A dissonância cognitiva explica o desconforto que sentimos quando temos duas ideias contraditórias ou incompatíveis, ou quando nossas crenças não estão em harmonia com aquilo que praticamos.

          A teoria da dissonância cognitiva ilustra a maneira como lidamos com as nossas incoerências. O psicólogo Leon Festinger observou que temos um impulso de buscar a harmonia em todas as nossas atitudes e crenças, pois, caso contrário, nos sentimos psicologicamente desconfortáveis.
          A tendência inicial é buscarmos explicações, justificativas e racionalizações para nosso comportamento incoerente. Por ser um sentimento desagradável, a dissonância nos motiva a substituir a crença, a atitude ou o comportamento dissonante.
         Quando nos deparamos com percepções, informações ou ideias em conflito, tentamos reduzir a ansiedade produzida através de algumas dessas posturas:
  • Substituindo uma ou mais crenças, atitudes ou comportamentos que estejam envolvidos na dissonância;
  • Adquirindo novas informações ou crenças que irão aumentar a consonância;
  • Ignorando ou desmerecendo aquilo que mantêm a situação de dissonância.
         Um exemplo é o fumante que sabe de todos os prejuízos que o fumo acarreta e continua a fumar ou alguém que defende radicalmente os direitos dos animais, mas que não deixa de comer carne.
         Por que as pessoas continuam fazendo coisas que não se ajustam ao que elas já sabem, ou mantendo opiniões incoerentes entre si? Isso ilustra bem o processo de autocorrupção que mantém o ego protegido de um possível autoenfrentamento, ante os desconfortos que a incoerência lhe acarreta, na tentativa de  preservar a autoimagem ou pela dificuldade em ‘abrir mão’ dos ganhos secundários que a postura incoerente proporciona.