Mostrando postagens com marcador conflito de pensamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador conflito de pensamentos. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de abril de 2017

Rigidez Mental – Quando sua Forma de Pensar te Impede de Crescer

A psicóloga Jennifer Delgado Suarez nos explica os aspectos da rigidez mental.

Albert Einstein disse que a mente que se abre a uma nova ideia nunca retorna ao seu tamanho original. No entanto, abrir a mente é um exercício complicado, muito mais do que gostaríamos de admitir.
Na verdade, a rigidez mental já começamos a construir a partir do nascimento. Cada aprendizagem abre novas portas, mas também fecha outras.
À medida que crescemos e formamos nossa própria imagem do mundo, estamos cheios de estereótipos, preconceitos e crenças que são muito difíceis de remover. No entanto, a rigidez mental não se refere apenas às ideias, mas, acima de tudo, a maneira de pensar.
A rigidez mental nos torna prisioneiros, diminui nossa capacidade de adaptação, criatividade, espontaneidade e positividade. Nos prendemos a velhos padrões que nos impedem de crescer intelectualmente e emocionalmente.

Na verdade, as pessoas rígidas mentalmente são aquelas que:

  • Pensam que só há um "modo adequado" de fazer as coisas.
  • Assumem que a sua perspectiva é a única correta e que o resto está errado.
  • Não estão abertas à mudança porque isso assusta-as.
  • Se apegam ao passado e recusam se mover.
Mas se alguma coisa caracteriza pessoas com rigidez mental é o desejo de ter razão a todo custo. Elas não percebem que este desejo é extremamente prejudicial porque a possibilidade de estar errado e cometer erros é, justamente, a principal ferramenta de aprendizado e crescimento.
Nós não podemos crescer, não podemos realmente assimilar novos conhecimentos, seja a nível intelectual ou emocional, se não nos dermos conta de que o que sabemos ou cremos pode estar errado ou pelo menos insuficiente.
Na verdade, uma das principais características das pessoas que têm uma certa flexibilidade mental é  ser capaz de perceber que decisões erradas não são “más decisões”, em última análise, qualquer decisão é boa se for seguida por uma outra decisão de vermos o lado positivo disso. 
Flexibilidade mental é justamente saber que qualquer decisão que tomamos, sempre abre diante de nós um mundo de possibilidades. 
Portanto, a flexibilidade mental é estarmos dispostos a equivocar-nos, não ter medo dos erros e tentar entender e abraçar as coisas novas ou pontos de vista diferentes dos nossos.

A Rigidez Mental como resistência inconsciente

A pessoa que desenvolve uma maneira muito rígida de pensar, de certa forma, estão se protegendo. De fato, a rigidez mental pode também ser entendida como uma resistência psicológica. Em certo ponto, quando uma ideia vai contra o que você pensa, você experimenta uma sensação estranha que lhe confunde, paralisa e faz com que você feche às razões.
Assim, muitas pessoas simplesmente rejeitam o argumento, sem analisar. No entanto, a boa notícia é que quando isso acontece é porque algo no seu interior se dá conta que há um problema, algo precisa ser resolvido, embora o processo seja doloroso.
De fato, em muitos casos, perceber que algo que você acreditava cegamente por anos não é verdade, ou pelo menos não é toda a verdade,  pode causar uma dor enorme que pode dar lugar a uma crise existencial.

Como Abrir a Caixinha

A boa notícia é que a flexibilidade mental é uma habilidade que pode ser desenvolvida e aprendida.

1. Concentre-se em suas emoções. 

Quando você está tentado a rejeitar completamente uma ideia, observe como você se sente. Se você se sentir desconfortável com o que você ouve, é provável que a rigidez em sua maneira de pensar esconde uma resistência inconsciente.
Pergunte a si mesmo o que tem medo. Se você responder honestamente, irá descobrir muitas coisas. Na verdade, quanto mais medo você sente, mais iluminará essa resistência.

2. Alimente o desejo de crescer. 

A curiosidade continua sendo uma das ferramentas mais poderosas que temos à nossa disposição para crescer como pessoas.
Em vez de aceitar as velhas idéias, pergunta-se “por que”. Se começar a questionar tudo que você sempre deu como certo, não só encontrará respostas novas como também descobrirá um novo mundo, muito mais vasto.

3. Desenvolver empatia.

Em alguns casos, você provavelmente não concorde com as idéias, as formas de pensar e atitudes dos outros. No entanto, em vez de rejeitá-los de imediato, tente se colocar no lugar deles para entender de onde vêm esse ponto de vista.
Se você rejeitar o que não sabe ou não gosta, você será a mesma pessoa de antes, mas se você tentar entender o outro, terá caminhado um passo além e crescerá.

4. Abrace os erros. 

Ter certa flexibilidade mental significa não ter medo dos erros, significa estar disposto a aproveitar as novas oportunidades, mesmo que isso signifique se equivocar.
Se trata de entender a vida como um contínuo aprendizado, onde cada erro não é um passo atrás, mas sim um passo a frente em nossa evolução, pois nos permite desfazermos velhos padrões já enraizados.

5. Não busque a verdade absoluta. 

Toda vez que assumimos uma verdade como um fato imutável, significa que paramos de olhar nessa direção e, portanto, começamos a morrer um pouco todos os dias nessa área. Assim, é importante não se prender a uma única maneira de ver as coisas e manter uma mente aberta.

por Yogui.co

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Armadilha 1: Procrastinação - Série Armadilhas da mente

        A procrastinação é um comportamento muito comum em que uma ação necessária é evitada ou adiada indefinidamente. Dessa maneira, a pessoa quer iniciar alguma tarefa ou mesmo terminar o que começou, mas é levada a postergar a ação, por motivos que sempre lhe parecem alheios à sua vontade. É o que popularmente chamamos “empurrar com a barriga”.

          O hábito de adiar algo importante, como terminar um relatório de trabalho, iniciar uma mudança positiva de hábitos, procurar um profissional da saúde quando se sente doente, resulta em:

- perda de produtividade,
- estresse,
- ansiedade,
- angústia,
- sensação de culpa,
- e vergonha, pelo não cumprimento das responsabilidades e compromissos.

         Por que procrastinamos? Quando nos envolvemos com alguma tarefa que não gera prazer imediato, o cérebro interpreta isso como uma ameaça.
          O Sistema Nervoso Central produz certas substâncias – neurotransmissores- relacionadas com as emoções, sentimentos e comportamentos. Toda vez que a pessoa recebe um estímulo positivo, forte, agradável, seu cérebro gera a dopamina, que dá a sensação de felicidade, de estar de bem com a vida, em fluxo com o Universo e todos os sentimentos decorrentes disso. A dopamina gera prazer, alegria, força, êxtase, euforia, poder, sexualidade, confiança, sentimento de poder enfrentar qualquer desafio. Ela é indispensável para ação motora, força de vontade, alegria e bem-estar.
         A dopamina é um neurotransmissor extremamente potente. Sua diminuição é fatal para o crescimento do indivíduo. Sua presença traz uma sensação de controle total da situação, de poder enfrentar qualquer desafio, qualquer inimigo, qualquer problema. Este é o neurotransmissor básico do Macho Alfa ou da Fêmea Dominante.

         Nos tornamos, de certa forma ,dependentes deste tipo de sensação de poder. Quando uma tarefa tem grandes possibilidades de provocar a produção de dopamina, o cérebro busca avidamente por ela. Por outro lado, quando o cérebro entende que uma ação não será capaz de produzir dopamina, ele simplesmente tenta evitá-la de todas as maneiras.
         Frente a uma tarefa, a amígdala cerebral - a parte do cérebro que controla o cérebro emocional - inicia uma rápida avaliação entre o agir e o não agir, baseada em experiências semelhantes registradas na memória.  Quando a tarefa não parece prazerosa, entram em ação outros neurotransmissores, provocando medo e ansiedade. Então, evita-se a ação para que haja um retorno ao ponto de equilíbrio emocional.

         O córtex pré-frontal é a área do cérebro responsável por funções de execução cerebral como planejamento, controle de impulsos, atenção, e age como um filtro, diminuindo estímulos que causam distração ao indivíduo. Lesões ou baixa utilização dessa área podem reduzir a capacidade de uma pessoa filtrar esses estímulos, resultando em má organização, perda de atenção e aumento da procrastinação.
         Normalmente, a amígdala cerebral leva menos tempo para produzir uma reação emocional do que o córtex pré-frontal leva para julgar e se decidir pela ação. É por esse motivo que, muitas vezes, a emoção vence a razão e adiamos uma ação necessária indefinidamente, ou pelo menos até o prazo final para executá-la, quando a dor por não agir torna-se maior do que o desprazer de agir.

         Qual de nós já não adiou a realização de uma tarefa importante como: praticar exercícios, iniciar a leitura de um livro que pode mudar nossa visão de mundo, aprender um idioma, emagrecer, parar de ingerir bebidas alcoólicas, começar a poupar?
         A procrastinação acontece com todos, uma vez ou outra, mas há pessoas em que esse comportamento torna-se uma desordem persistente e debilitante. Nesses casos, o hábito relaciona-se com ansiedade, baixa autoestima, falta de criatividade e mentalidade autodestrutiva. Embora a procrastinação seja considerada normal, é um fator limitante para o crescimento pessoal.
         Os procrastinadores podem adiar suas tarefas por:
  • Perfeccionismo: nunca estão satisfeitos com os resultados do que estão fazendo; portanto, não se sentem prontos para finalizar o que iniciam.
  • Impulsividade: se envolvem demais com atividades menos importantes, cujas soluções têm baixo impacto como, por exemplo, responder a todos os e-mails que recebem ou conferir a todo o momento o que está acontecendo nas redes sociais.
  • Medo: temem o fracasso e a opinião alheia frente ao seu desempenho. Não começar algo, neste caso, é a melhor forma para não fracassar ou não ser julgado.
         Mesmo sendo um forte hábito, a procrastinação é uma escolha do indivíduo. A angústia associada à procrastinação somente se extingue quando a tarefa é concluída.
          Há técnicas e ferramentas que podem ajudar, mas o problema só será resolvido, em definitivo, através do autoconhecimento e da busca pela expansão de consciência.

domingo, 2 de abril de 2017

O que é a Dissonância Cognitiva?

O que é a dissonância cognitiva?

Já experimentou a sensação de pensar uma coisa e fazer outra, sem perceber que manifestam duas ideias incompatíveis? Estas situações lhe causam mal-estar ou o deixam tenso? Isto se chama dissonância cognitiva.

Na Psicologia, a dissonância cognitiva é entendida como o stress ou desconforto que percebemos quando temos duas ideias contraditórias ou incompatíveis, ou quando nossas crenças não estão em harmonia com aquilo que praticamos.

O que fazemos perante a dissonância cognitiva?

Quando experimentamos o stress ou o desconforto por manifestar duas ideias incompatíveis, tentaremos eliminá-las ou evitar a situação e informações que possam alimentá-las. Ou seja, tentaremos minimizar a dissonância. Para minimizá-la podemos usar diversas formas, como mudar a atitude, alterar o ambiente ou acrescentar novas informações e conhecimentos.
Desta forma, podemos descobrir que quase todos vivenciamos as dissonâncias cognitivas. Por exemplo, quando não vamos a academia, mesmo que esse seja nosso objetivo semanal, quando comemos chocolate estando em dieta, quando desejamos algo e não podemos satisfazer esse desejo, e então o criticamos ou lhe restamos valor, fumamos um cigarro quando nos é proibido pelo médico, ou quando aquilo que adquirimos não corresponde às nossas expectativas. No caso de não ir à academia, vai contra nossas crenças sobre “perder alguns quilos” ou sobre “levar uma vida saudável”. E terminamos por não ir à academia, então, o que é mais fácil de modificar, algo que fizemos no passado, um hábito ou nossas crenças?
A opção mais fácil costuma ser a última. No momento em que devemos acrescentar novas crenças, mudamos as que já possuímos ou damos importância à aquelas incompatíveis, de modo a eliminar a incongruência. “Ir à academia é algo que se percebe em longo prazo, não acontece nada ao deixar de ir“, “Apenas um dia não fará diferença”, “Tentarei ir na próxima semana”. Podemos mudar nossas crenças de diversos modos, porém mantendo nosso objetivo final, que será valorizar mais ainda a opção eleita, e dar peso à alternativa não selecionada. E assim ocorre com outros exemplos.

Primeiro agir, depois justificar a ação.

Como se percebe, a dissonância cognitiva explica a nossa tendência para a auto-justificação. A ansiedade ou o stress que envolvem a possibilidade de termos tomado uma decisão errada ou de realizar algo incorreto, pode nos empurrar a inventar novas justificativas ou explicações que apoiem nossa decisão ou ato.  Não temos sustentação em simultâneo para dois pensamentos contraditórios ou incompatíveis, e justificamos tal contradição, ainda que seja com novas ideias absurdas.
É importante assinalar que a dissonância cognitiva apenas ocorre quando os indivíduos possuem a liberdade de escolha ao realizar a conduta. Caso nos obriguem a fazer algo contra nosso desejo, não se produz o stress. Mesmo que nos convençamos de que fomos obrigados, isso pode servir também como justificativa para minimizar o mal-estar.

Porém, é contraindicado minimizar a dissonância?

A princípio não, pois é um mecanismo que usamos para nosso bem-estar. O que importa é ter consciência de que quando ocorre, devemos evitar cair no auto-engano. Por exemplo, nos finais de relacionamentos, ou perante amores não correspondidos, costumamos justificar o fato usando frase como “já sabia que isto não daria certo”, “não valia a pena”, “não era o que eu esperava”; mesmo nos sentindo doloridos é custoso admitir tal fato.
Inclusive com pessoas que possuem autoestima baixa é possível observar isso, pois são pessoas que esperam pouco de si mesmas, e tentam mentir para ocultar o que consideram fraquezas, criando armaduras e máscaras, que escondem seus reais sentimentos. O que acontece? Bem, as pessoas as tratam como supõem que são, ou seja, conforme a face que expõem, e ao contrário no seu íntimo se sentem mal compreendidas. Porém isso é muito importante, temos que saber que lidamos com o mecanismo da dissonância cognitiva para evitar cair no auto-engano, em críticas e mentiras.

Fonte: A Mente é Maravilhosa